Invisível

Eu sempre quis ser invisível?

Eu nunca quis ser notado?

Havia em mim aquela sensação de que eu não tinha nada a oferecer ao mundo, então era melhor ficar quieto, porque se ele não me percebe-se não poderia cobrar nada.

E assim ia, dia após dia, no meu cubículo de invisibilidade enfadonha e medíocre.

A sensação de medo imediato podia até diminuir, mas a incompletude sempre esteve comigo, aquela sensação de não-realização, de estar no caminho errado, isso a invisibilidade não podia mascarar.

Acho que isso está muito atrelado ao fato de que eu não buscava o meu propósito na vida, passei vários anos em um emprego que não me agradava só porque ele pagava minhas contas e sobrava dinheiro pra me divertir um pouco, mas eu me sentia fora de sintonia com ele, não era estar lá que me movia.

A mediocridade, que sempre tentei evitar, foi tomando conta de mim, fui perdendo o tesão pela vida, pelas minhas coisas, pela minha jornada. Um dia se tornava igual ao outro, preencher ponto, ganhar uns trocados, "viver" o fim de semana. Pra dizer a verdade, nunca acreditei muito nessa coisa de fim de semana, sempre achei muito estranha essa ideia de que devêssemos sofrer um bocado, pra depois ter um pequeno período de alívio, eu não gostaria de viver assim, mas foi assim que acabei vivendo.

Pensando nas sextas, nas férias, no futuro distante e fantasioso, no que eu poderia fazer quando conseguisse X, que eu seria feliz quando Y estivesse comigo. Momentos passavam e eu os perdia pensando no que poderia conseguir no futuro, no que seria lá na frente, que tudo seria lindo e maravilhoso.

Quantos de mim não acabam presos nesse ciclo?

Sempre esperando o melhor que nunca vem, o momento mágico, especial, em que tudo vai mudar. E me esqueço que a mudança depende das minhas atitudes e não só do meu desejo de mudança. O desejo de mudança é importante, ele me mostra uma direção, mas no final se eu apenas olhar ao horizonte e avistar aquele castelo no qual gostaria de chegar e não mudar a minha direção, provavelmente nunca irei alcançá-lo.

E como é fácil acabar nessa rotina, de me atolar em tarefas e responsabilidades pra parecer ocupado, pra tentar sentir que estou fazendo algo, sem perceber que já não sei mais o que me é valioso, o que vale a pena. Tudo se torna a próxima tarefa, o prazer da vida desaparece na grande lista de realizações vazias.

Ralf Schmitz Bongiolo

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